Como o dinheiro é fabricado?

September 22, 2018



Dinheiro, tão desejado e tão difamado. Simplórios pedaços de papel que valem tanto!
Alguma vez você se perguntou como é feito o dinheiro? Tanto as notas quanto moedas? Pra começar, o dinheiro brasileiro é produzido na Casa da Moeda e só ali é capaz de se produzir o verdadeiro Real brasileiro.
O papel usado é altamente especial, sabemos que é feito de três camadas, sendo uma de madeira, outra de algodão e a terceira, bom, ainda ninguém descobriu. Estas camadas se transformam em um papel resistente a (quase) tudo, inclusive água salgada, caso caiam no mar.
Como é feito o dinheiro?
Assim que o papel chega à casa da moeda é preciso passar por uma série de rigorosos parâmetros estabelecidos pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). São réguas que conferem cada milésimo de milímetro das dimensões do papel. Balanças eletrônicas que medem o peso de cada folha. Microscópios conferem cada fibra interna da estrutura do papel.
Não suficiente, ainda existem máquinas que medem o tamanho dos poros do papel, aspereza, alvura e opacidade. Achou pouco? Existe, até, um teste que verifica o grau de dificuldade de se arrancar as fibras da superfície das amostras.
Este teste em específico serve para prever o que poderia acontecer, por exemplo, se uma fita adesiva fosse grudada e, em seguida, arrancada de uma futura nota. A acidez do papel é um dos fatores analisados, isso acontece porque se o valor da acidez não for preciso pode prejudicar a secagem da tinta que será impressa.
Outro teste é feito na máquina de “dupla dobra”, que dobra e desdobra e dobra as amostras de papel algumas milhares de vezes. Estes são apenas alguns exemplos de todo o processo que é acompanhado detalhadamente, desde a primeira remessa de papel, analisada através de mais de 30 tipos de exames laboratoriais.
Em todo o mundo só existem quatro empresas que fornecem a matéria-prima essencial para a fabricação do dinheiro, o papel. Uma delas, a Papel Salto, fica no Brasil, no interior de São Paulo. Antes mesmo de virar dinheiro, esse papel é rigorosamente vigiado.
Cada folha é criada apenas por encomenda, de acordo com as especificações secretas de cada comprador. Depois de prontas, cada folha é numerada e contabilizada.

O papel

O papel criado para a fabricação de notas de dinheiro é composto de três camadas sobrepostas. As camadas externas, geralmente, são de pasta de madeira. Já a lâmina do meio é 100% algodão [exatamente! como algumas roupas que estamos acostumados].
Línter, esse é o nome da fibra mais curta do algodão, obtida no último corte do caroço [que entra três vezes na máquina de corte, resultando em fibras cada vez menores; o línter fica rente ao caroço, por isso só sai no terceiro corte] é o principal ingrediente da camada do meio da nota.
A camada do meio é a que recebe as principais medidas de segurança, que dificultam a falsificação.
Segurança
A filigrana é uma figura qualquer, escolhida pelo governo, e a primeira medida de proteção. A gravação da imagem é realizada em alto relevo, através de um molde que comprime a pasta úmida de algodão, ainda no processo de fabricação.
A filigrana, também é conhecida como “marca d’água”, é a efígie [representação de uma pessoa numa moeda, pintura ou escultura] da República.
 Essa camada é protegida pelas lâminas exteriores, por isso a marca d’água só é vista quando olhada contra a luz.
As notas são tão seguras que até hoje ninguém conseguiu copiá-las, apenas as raras exceções realizadas por governos estrangeiros.
Além disso, as notas também possuem pequenas fibras de raiom, um fio sintético, colocadas entre a camada de algodão e as exteriores. 
Essa composição também inclui um fio de poliéster magnetizado, no caso do Real brasileiro, vem com as iniciais do Banco Central do Brasil, em microimpressão [2 milímetros de largura].
O fio possui as cores verde, vermelho e azul, e só pode ser visto quando colocado contra a luz.
Coloração
São 17 cores ao todo. As 10 primeiras são aplicadas na maior parte da nota. São elas que dão cores ao fundo, projetado por computador. Outras 6 tintas são especialmente para lugares nobres e aplicadas por meio da calcografia [processo de gravura feito numa matriz de metal, geralmente o cobre.Também pode ser feita em alumínio, aço, ferro ou latão amarelo].
A fórmula dessas tintas é um dos segredos mais bem guardados do mundo. Claro que as tintas também são especiais, espessas como pasta de dente, criam cores em três dimensões. Elas ficam mais altas ou mais baixas em diferentes partes das notas. Por isso é possível sentir a pintura com os dedos.
Já a 17ª tinta utilizada na impressão é uma mistura de óxido de ferro. Por ser magnetizada, essa substância pode ser identificada por um aparelhinho conhecido comercialmente como “dólar-teste”. Antes de serem impressas, as tintas são submetidas a 18 testes de laboratório. Com o objetivo de verificar sua resistência.
Impressão
Para serem impressas, as notas passam por três etapas.
  1. Imprime-se o fundo em offset a seco. Mas não é bem um processo comum. As offsets convencionais selecionam as áreas do papel onde a tinta não deve ser aplicada. A offset a seco possui suas matrizes em relevo, e as partes ressaltadas é que tocam o papel. Além disso, nessa máquina, a impressão é feita dos dois lados simultaneamente, o que tem a vantagem de não haver desencontro entre linhas e formas de um lado e de outro. Essa máquina se chama Simultan, por que será?

  2. Em seguida, as notas vão para a impressora Intagiocolor, que dá relevo à impressão. A aplicação da tinta no papel é feita através de uma força equivalente a várias toneladas. Fazendo com que a tinta fique em pequenas ranhaduras esculpida a mão no metal da matriz. Essas ranhaduras é que dão a altura desejada para a camada de tinta.

  3. Super Numerota, a 3ª impressora, é a que grava o número de série e as chancelas do ministro da Fazenda e do presidente do Banco Central.
Depois de prontas, as notas são revisadas, uma a uma, na seção de crítica, onde só trabalham mulheres. Isso porque acredita-se que os homens não têm acuidade para encontrar pequenas falhas de impressão passando os olhos brevemente. Então as cédulas são cortadas e embaladas. Mas só são consideradas efetivamente como dinheiro assim que estão nas ruas, respaldadas pelo lastro do Banco Central.