Um ex-bombeiro teve seu rosto completamente queimado enquanto tentava apagar um incêndio

Após ficar irreconhecível para os próprios filhos, ele arriscou sua vida novamente, desta vez para conseguir um novo rosto, no mais extenso transplante já realizado na história da Medicina.





Agora, Pat Hardison utiliza o rosto de David Rodebaugh, um homem de 26 anos que morreu em agosto, após um acidente de bicicleta. O procedimento também foi considerado o transplante de rosto mais arriscado realizado até então. Hardison, após passar ileso do processo, sentiu-se novamente uma pessoa normal e deve ter sua visão restaurada com o tempo. O homem, do Tennessee, nos EUA, tinha apenas 50% de chance de sobreviver à cirurgia, mas era um risco que ele estava disposto a correr.
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Segundo ele, seu rosto ficou totalmente desfigurado, assustando suas próprias crianças, que fugiam dele. O rosto de Hardison havia derretido durante um incêndio em um trailer, no Mississippi, em setembro de 2001.

Recordando o incidente, ele disse à ABC que entrou no trailer em chamas para procurar uma senhora, mas o teto em chamas desabou sobre ele. “Era apenas um dia normal, como todos os outros incêndios. Quando o teto desabou, minha máscara começou a derreter na minha cara”,contou Hardison. Ele tirou a máscara, prendeu a respiração e fechou os olhos, o que os médicos dizem ter salvado sua visão, além de impedir que a fumaça danificasse sua garganta e pulmões.
Na foto abaixo, David Rodebaugh (à esquerda) que doou o rosto. Na foto, à direita, Pat Hardison, antes do terrível acidente.
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Estava saindo fumaça de seu rosto e a carne estava derretendo. Parecia um pedaço de carvão”,disse seu parceiro, Bricky Cole. Como resultado, o ex-bombeiro passou 63 dias no hospital, mas era tarde demais para salvar seu rosto. Ele havia perdido suas orelhas, lábios, a maioria de seu nariz e praticamente todo o seu tecido da pálpebra. Por conta disso, sua visão foi afetada. Quando voltou para casa, seus três filhos, Alison (6), Dalton (3) e Averi (2) correram, assustados. “Meus filhos estavam com medo de mim. Você não pode culpá-los. Eles são crianças. Eu dizia brincando a eles e outras crianças curiosas que havia lutado com um urso, mas elas corriam gritando e chorando quando me viam. Há coisas piores do que morrer”, relatou.
Ao longo do tempo, Hardison passou por 71 operações (cerca de sete por ano) para tentar reconstruir sua boca, nariz e pálpebras com enxertos de pele. Mesmo tendo mais dois filhos após o acidente, o impacto da fatalidade colocou uma enorme pressão sobre a sua vida familiar e, após dez anos de casamento, ele e sua esposa Chrissi acabaram se divorciando. As coisas pioraram quando ele foi declarado falido e perdeu sua casa. Mais tarde, ele explicou que durante os anos de operações e recuperações agoniantes, ele tornou-se viciado em analgésicos.
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Porém, um amigo da igreja de Hardison escreveu sua história ao especialista Dr. Eduardo Rodriguez, que havia realizado um transplante de rosto em 2012 no Centro Médico da Universidade de Maryland. O médico resolveu tentar ajudá-lo, e, em agosto 2014 Hardison foi colocado na lista de espera de cirurgia. Ele precisava de um doador que combinasse com seu tom pele, de cabelo e tipo de sangue, bem como a estrutura do esqueleto.
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Um ano depois, a face de Rodebaugh foi identificada como ideal pela LiveOnNY, uma organização sem fins lucrativos que visa direcionar órgãos e tecido para transplante na região de Nova Iorque. A mãe do doador, que havia morrido após cair de bicicleta e bater a cabeça, aceitou, dizendo que sempre quis que seu filho fosse um bombeiro.


Durante o transplante de rosto arriscado, Hardison teve o rosto e o couro cabeludo implantados, incluindo o exterior da pele, tecidos, nervos e músculos. Em seguida, o rosto do doador foi conectado aos vasos sanguíneos. Mais de 100 médicos, enfermeiros, equipe técnica e de apoio participaram da operação de 26 horas, realizada em agosto.

Hoje, três meses depois, sua recuperação está avançada. Ele espera por novas pálpebras para recuperar seu campo de visão, após mais de uma década de sofrimento e rejeição. Ele pretende ministrar palestras motivacionais e ajudar veteranos feridos.






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