Entenda a síndrome de Burnout

Um esgotamento emocional extremo caracterizado por sensação de exaustão emocional e inadequação, fadiga, frustração, perda de interesse pelas atividades cotidianas, afastamento da vida pessoal, perda de produtividade e apatia. Esses sintomas podem vir acompanhados de cefaleia crônica e problemas digestivos. Ainda pouco conhecida, a síndrome de burnout atinge, em média, 4% da população economicamente ativa em todo o mundo, sendo mais prevalente por volta dos 40 anos e entre as mulheres. Elas são mais pressionadas por razões biológicas, mas também por questões sociais, já que geralmente também são cobradas pelo bom funcionamento do lar.
No Brasil, essa condição também é conhecida como síndrome do esgotamento profissional e embora possa atingir qualquer profissional, costuma ser mais incidente em áreas como enfermagem, médica, policial, entre outras. Pessoas que já têm histórico de depressão ou ansiedade são mais vulneráveis, assim como aquelas que tem o trabalho como a principal fonte de bem-estar, realização e autoestima.
A síndrome, como grande parte das condições psíquicas relacionadas ao trabalho, não se instala repentinamente. Ela aparece de forma silenciosa e pode progredir por vários anos consecutivos, passando de um mal-estar geral para um forte sentimento de exaustão. Em geral, os primeiros a observarem as alterações no indivíduo são os familiares, que chamam a atenção para certa mudança de comportamento.
Em um momento inicial, a principal característica é a dedicação extrema à atividade profissional, identificada muitas vezes por horas extras em excesso. Para isso, negligencia-se a vida pessoal, reduzindo o convívio familiar e o interesse em possíveis hobbies ou outras atividades prazerosas, até passar a uma dedicação quase exclusiva ao trabalho.
A correria do dia a dia, as relações entre chefes e subordinados, a sobrecarga de tarefas e a pressão institucional compõem uma rotina extenuante. Com o isolamento social, a exaustão tende a se intensificar e o quadro piora. “Nesse momento, a pessoa percebe que tem algo errado, já que não consegue mais se organizar, fica mais intolerante e perde a empatia com os outros. Nada a atrai. No trabalho, sente-se exaurida e não tem válvula de escape”, relata Ana Merzel Kernkraut, psicóloga coordenadora do Núcleo de Medicina Psicossomática e Psiquiatria do Einstein. “O que começa com a exigência de uma grande dedicação vai culminar em falta de interesse, perda de sentido e desligamento emocional do trabalho. E isso se estende também à vida pessoal”, completa a Dra. Mara Fernandes Maranhão, psiquiatra do Einstein.

Diagnóstico e tratamento


Identificar a síndrome de burnout, no entanto, não é simples. Embora depressão, ansiedade e sentimento de inferioridade sejam comuns nesse quadro, o problema pode se manifestar de maneira bem particular. Segundo as especialistas, identificar quem entra em colapso costuma ser mais simples, mas os prejuízos à saúde, tanto corporal quanto psíquica, aparecem muito antes disso.
Isso se deve especialmente à alta exigência do mercado de trabalho contemporâneo aliado à grande competitividade entre os profissionais, o que torna mais complexo o diagnóstico da síndrome. A própria percepção do trabalhador se torna comprometida. “Existe essa ideia corrente de que o estresse é praticamente normal e de que a pessoa tem de dar conta de várias coisas ao mesmo tempo. Em determinados períodos, estamos sob mais pressão, mas isso costuma ser pontual. Quando não é, o ambiente é nocivo e pode levar ao esgotamento”, explica a Dra. Mara.
Um ponto importante pode ser o diferencial no entendimento dessa condição. “Existem pessoas que são workahoolics, ou seja, são viciadas em trabalhar. Mas elas podem ser assim e estar bem, esse pode ser apenas um jeito de ser. No entanto, o problema aparece quando a pessoa trabalha demais e não tem prazer naquilo e perde até o prazer na vida pessoal”, compara a psicóloga Ana Kernkraut.
Se identificada em um ponto em que o estresse ainda pode ser gerenciável, ou seja, nos casos leves, um acompanhamento psicológico pode ajudar no manejo da situação e reverter o quadro. A pessoa precisará aprender a reorganizar o próprio tempo, identificando o que pode mudar, a fim de dar prioridade para a própria vida. Nesse contexto, é importante aprender a delegar responsabilidades e trabalhar em equipe, além de estabelecer horários rígidos de entrada e saída do emprego e não levar trabalho para a casa. Outro ponto essencial é separar um tempo para o lazer e para a atividade física.
No entanto, em casos mais graves, além das medidas mencionadas e do acompanhamento médico, pode ser prescrito o uso de remédios e o afastamento temporário do trabalho. Eventuais sintomas físicos também devem ser tratados e observados. “A psicoterapia é muito importante no tratamento para fazer com que a pessoa perceba como e por que permitiu que a situação chegasse ao limite. Assim, fica menos provável repetir o mesmo caminho”, destaca Ana.
“Vários estudos reforçam os benefícios da atividade física na recuperação de quem sofre dessa síndrome. Também é importante evitar que a pessoa seja submetida a trabalhos em turnos muito diferentes, a fim de manter o ciclo circadiano (de sono e vigília), e que as empresas passem a olhar com cuidado para a pressão exercida no ambiente de trabalho”, complementa a psiquiatra Dra. Mara.
FONTEhttp://www.einstein.br/einstein-saude/pagina-einstein/Paginas/entenda-a-sindrome-de-burnout.aspx